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terça-feira, 12 de abril de 2011

(Coffee Break)

Agora é uma boa hora pra fazer um intervalo entre os posts sobre juventude transviada, e fazer um coffee break.

Rápido pensamento, daqueles que antecedem o sono, mas são importantes demais pra se refletirem apenas em sonho e desaparecerem com o primeiro espreguiço mau-humorado da manhã:

Existe tarefa mais estressante que "aproveitar cada momento como se fosse o último"? Se levássemos o clichê ao pé da letra, possivelmente não. É improvável extrair satisfação de situações cotidianas desagradáveis, sendo desnecessário entrar em detalhes ou especificações.

O que essa expressão popularizada vulgarmente por comerciais de carro do tipo Ecosport quer significar REALMENTE, acho eu, é que a vida deve deixar-se ser percebida. É que tirar conclusões sobre o passado só nos guia pra uma ou duas direções; a nostalgia ou o remorso. Se fôssemos capazes, por outro lado, de identificar os momentos perfeitos enquanto eles acontecem, então seríamos GENUINAMENTE felizes, mesmo que somente durante o período de duração desse momento. Sendo mais humilde, o momento não precisaria nem ser perfeito; bastasse que conseguíssemos enxergar, em tempo real, o curso da vida tomando o seu rumo. Como num filme: ser ator e espectador ao mesmo tempo.


(cena de une femme est une femme)

Talvez possamos, ao olhar pra trás, captar os elementos que nos fizeram mais realizados e iluminados (no sentido não-religioso da palavra, iluminados pela VERDADE) para, no presente ou nas situações futuras, percebermos esses mesmos elementos enquanto eles se fundem pra compor um momento perfeito. Só estaria aí, então, a serventia do passado, apenas na sua função de "educador". E mesmo desse processo racional eu desconfio um pouco.

O click! de que estamos vivendo uma cena única, completa e realizadora se traduz mais como um insight, uma percepção instantânea, repentina, do que por meio de um raciocínio lógico, que perde em força de genuidade para o insight.


Mas isso, é claro, é tudo bobagem de uma estudante que custa a dormir, menos por insônia que por inquietação das idéias.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Juventude (re) transviada - parte I

Estava eu me divertindo com um polígrafo para uma cadeira de história econômica QUANDO, de súbito, desce AQUELA luz que todos nós perceptores da vida já bem conhecemos, como se o espírito do próprio Tony Judt estivesse descendo do paraíso (já? Tony Judt tendo recém falecido, agosto de 2010) e pedindo pra tomar um café comigo (mania de fazer alusão ao título do blog em todas as postagens possíveis) e explicar qualquer coisa que talvez ele soubesse sobre a JUVENTUDE.

Sobre o surgimento da expressão "juventude" na Europa Ocidental no final dos anos 50:
"Usando roupas escuras e apertadas - por vezes de couro, por vezes de camurça, sempre de corte arrojado, e de aparência um tanto ameaçadora-, os blousons noirs (na França), os Halbstarker (na Alemanha e na Áustria) ou os kinknuttar (na Suécia), à semelhança da "juventude transviada" de Londres, exibiam comportamento cínico e indiferente, algo entre Marlon Brando e James Dean. No entanto, apesar de esporádicos surtos de violência, a principal ameaça desses jovens e suas roupas era à noção de decência dos mais velhos".

"Ter roupa específica, de acordo com a faixa etária, era importante como afirmação de independência e mesmo de rebeldia. (...) os jovens gastavam bastante dinheiro em roupas, mas gastavam ainda mais - muito mais- em música". Música pop mais especificamente, já que o jazz se viu marginalizado, sendo apreciado "geralmente, indivíduos com educação formal, burgueses ou boêmios (ou, muitas vezes, ambos)".

Lendo todas essas passagens, meus olhos começaram a soltar faíscas, tornando-se, eventualmente, foguinhos de artifício (sim, qualquer coisa como o clipe de Two Weeks do Grizzly Bear). PORÉM o CLICK veio com a passagem seguinte:

"Os adolescentes europeus do final dos anos 50 e início dos anos 60 não pretendiam transformar o mundo. Tinham crescido com segurança e certa prosperidade. A maioria queria apenas ter uma aparência diferente, viajar mais, tocar música e comprar coisas".

A luz desceu e invadiu toda a escrivaninha, e eu me enchi das mais diversas sensações de satisfação. Não simplesmente porque tinha ENTENDIDO o que Godard quis criticar em Masculino, Feminino e todo o processo histórico que tinha gerado aquela situação, MAS TAMBÉM porque notei qualquer semelhança com a dita "juventude" de hoje.

Há tempos já queria tentar achar uma definição adequada e comum pra essa massa de joverns (vale ressaltar: "massa" reduzida, com acesso a internet e renda suficiente para que se entedie facilmente), e foi Tony Judt, observando as características da geração jovem européia dos anos 50 e início dos 60, que conseguiu resumir absolutamente tudo.

Há certas diferenças, porém. Elas virão num futuro post, quem sabe.

domingo, 20 de março de 2011

Acho que o blog precisa dar uma revigorada, ando muito desleixada. Quem sabe uma foto? E, pra fazer jus à proposta cheia de cafeína do blog, pas d'une image inhabituelle:



(e como um pouco de auto-promoção não faz mal a ninguém, o flickr donde tá a foto: www.flickr.com/ffeldens)

E fica um questionamento: como as pessoas têm coragem de achar que o amor pode justificar atos de não-amor?

Dica: trilha sonora do filme The Kids Are All Right! muito legal mesmo, mas infelizmente não achei pra baixar. O cd novo do The Kills também tá bem bacana, se alguém quiser dar uma escutada: http://www.mediafire.com/?d9p8tm8d6fee5fn

domingo, 28 de novembro de 2010

domingo

Pensar e se frustrar é tão simples. Tão fácil reclamar, e olhar fotos e mais fotos que transpiram uma liberdade de que se inveja aqui. Mas até que ponto essa liberdade traz satisfação garantida? Será que ela preenche o vazio?

Et voi-là, mes amis. je voudrais un firmament plus souriant aujourd-hui.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

só mais um bop literário

“A visão da liberdade da eternidade que eu tive e que todos os santos das ermidas nas florestas tiveram serve para pouca coisa nas cidades e ainda mais nas sociedades em guerra como a nossa – (...) Tempo suficiente para morrer na ignorância, mas agora que estamos vivos o que vamos celebrar, o que vamos dizer? O que fazer? O quê, carne orgulhosa no Brooklyn e em toda parte, e estômagos enjoados, e corações suspeitos, e ruas duras, e conflitos de idéias, toda a humanidade em chamas com o ódio – A primeira coisa que eu notei quando cheguei em São Francisco com a minha mochila e as minhas mensagens foi que todo mundo estava vadiando – desperdiçando tempo – não sendo sério – rivalidades triviais – timidez perante Deus – até os anjos brigando – só sei de uma coisa: todo mundo é um anjo, eu e Charlie Chaplin enxergamos as asas (...) você pode até ser um intelectual escroto nas capitais européias mas eu vejo as grandes tristes asas invisíveis em todos os ombros e me sinto mal porque elas são invisíveis e inúteis aqui na terra e sempre foram e só o que a gente está fazendo é brigar enquanto a morte não chega-”

“Por que mais viver senão para discutir (pelo menos) o horror e o terror da vida, meu Deus como nós ficamos velhos e alguns de nós ficam loucos e tudo muda de maneira pavorosa – é o pavor da mudança que nos machuca, assim que as coisas esfriam e aprontam elas desmoronam e queimam-“

Anjos da Desolação (Kerouac)

sábado, 30 de outubro de 2010

(sobre aquela vontade de sair correndo)

bzzzz bop be be bebop
pra todo mundo
um pouco de ritmo não iria mal, que tal
pra embalar todos os encontros que parecem interrompidos -não, pera! isso é melodia-
melody melody melody

ritmos dançantes frenéticos batendopé como se negão do bluessss
insandecido assim, é o que dá um pouco de luz a qualquer cabeça vazia -fotossíntese-.
se bem que ninguém parece mais simportar com luz anyway -call me lightening-

ritmo e melodia -quase uma música, só faltando o meio não-abstrato por onde eles vão se fundir e onde a magia acontece- imperando nos momentos em que a gente é arrancado dos olhos da pessoamada por qualquer força externa imbecil e insensível que não capta a luz da juventude

(tendo que imediatamente procurar pelas leis de extradição da argentina, mas vou te contar, a constituição argentina é BEM confusinha. acho minha luz no café, enquanto a música carrega)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

sobre imediatismos inconclusivos e, por isso, imediatismos

Cadê?

Ninguém disse que ia ser tudo tão vago,
ninguém avisou que iríamos ficar todos desalertados, desprotegidos, tendo que lidar com dados insólitos, tendo que se virar com o que se tem, tendo que ser basicamente imediatistas.

Imediatismos e impulsos que regram nossa rotina acabam fazendo dela qualquer coisa menos rotina. E se o inusual passar a ser o corriqueiro? E se a falta de foco, e se o desapego às metas, e se a incapacidade de planejar FOR, de fato, o esperado?

Então tudo que nos resta são expectativas distantes, um não-sei-o-que-esperar-de-mim, uma falta de perspectivas a longo prazo que incomoda, e cutuca de leve, belisca, mas que não chega a doer, porque no final,

No final, no final, no final, no final

terça-feira, 17 de agosto de 2010

es könnte auch anders sein

Vez ou outra, quando se está perdido em divagações profundas e sinceras, dá-se de cara com alguma verdade reveladora. Ela não simplesmente brota da nossa cabeça, na maioria das vezes; mas existem mecanismos que nos ajudam a encontrá-la. A disposição das árvores vista de um ângulo diferente no final da tarde, uma melodia diferente de qualquer coisa antes vista, ou simplesmente passagens de um livro velho e amarelado, que aparentava (só aparentava) já ter visto passarem seus dias de glória há muito. É o caso de “A Insustentável leveza do ser”, que leio agora, e que me fez arregalar os olhos de uma maneira LINDA e INÉDITA. Sinto-me no dever de parafrasear alguns trechos INTERESSANTÍSSIMOS, que merecem ser descobertos por qualquer um disposto a sentir um filete de sangue correr quente e vibrar nervoso e acelerar o compasso do coração melodia tão bonita que o nosso corpo rotineiramente produz. Com vocês, Milan Kundera:

“Não existe meio de verificar qual é a boa decisão, pois não existe termo de comparação. Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É isso que faz com que a vida pareça sempre um esboço. No entanto, mesmo “esboço” não é a palavra certa, porque um esboço é sempre um projeto de alguma coisa, ao passo que o esboço que é a nossa vida não é o esboço de nada. (...) Einmal ist keinmal, uma vez não conta, uma vez é nunca. Não pode viver senão uma vida é como não viver nunca.”

“(...) chegou à conclusão de que a história de amor de sua vida não estava colocada sobre ‘Es muss sein! (precisa ser assim)’, mas antes sobre “Es könnte auch anders sein”: isso poderia muito bem ter acontecido de outra maneira...”

“Depois que o homem aprendeu a dar nome a todas as partes de seu corpo, esse corpo o inquieta menos. Atualmente, cada um de nós sabe que a alma nada mais é que a atividade da matéria cinzenta do cérebro. A dualidade da alma e do corpo estava dissimulada por termos científicos; hoje, isso é um preconceito fora de moda que só nos faz rir.
Mas basta amar loucamente e ouvir o ruído dos intestinos para que a unidade da alma e do corpo, ilusão lírica da era científica, imediatamente se desfaça.”

“Ela tentava ver-se através do próprio corpo. Por isso, passava longos momentos em frente ao espelho. (...) Não era a vaidade que a atraía para o espelho, mas o espanto de descobrir-se. Esquecia que tinha diante de si o painel dos mecanismos psíquicos. Acreditava ver sua alma se revelando sob os traços do seu rosto.”

segunda-feira, 16 de agosto de 2010



ella fitzgerald & louis armstrong, the nearness of you
música lindíssima que pediu pra ser divulgada.

sábado, 7 de agosto de 2010

feminino F _ _ _ _ IN_

Sem muito o que dizer, na verdade.
Nunca tendo muito o que dizer, vai ver é o tempo que também não me diz nada, meio que chuva, meio que sol, mas é de manhã ainda

Talvez à medida que o tempo vai passando, e tudo acontecendo, e o céu clareando, e as ruas senchendo de gentes, e as gentes todas muito estranhas entre si, ninguém se reconhecendo, mesmo que já se conheçam, à medida que as nuvens vão enxugando o que sobrou da chuva de ontem, os homens-de-debaixo-da-ponte recolhendo suas coisas e levando pralgum lugar onde só eles sabem, mais ninguém,

, quem sabe também eu vou achando alguma coisa pra ocupar os pensamentos.
Que na verdade já parei de mimportar, já não me restam muitas preocupações, tudo fluindo muito insólito na minha cabeça. De modo que me sinta muito anestesiada, porque minhas sensações não se ordenam, não se organizam, eu fico à deriva, elas me deixando na mão. Não consigo achar nenhuma direção pra atirar: vou atirando em todas.

Só uma coisa me segurando nessa dimensão: o gosto do café tomado há pouco.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

all fucked up

"dois olhares jamais se cruzam sem deixar marcas de vida e um silêncio profundo. calor. a tênue luz... (pausa pra engolir um cigarro)...invade em algum lugar o marco deste relato."


qual filme é?

quarta-feira, 7 de julho de 2010

vontade dum café

Dalgum jeito poucas situações batem um café.
Preto, cheiroso e fumegante.
Ele é anunciado a distância, custa disfarçar a fumacinha;

claro, certas companhias envaidecem o café, e fazem dele a mais EMINENTE das bebidas (será mesmo? für mich, ja).
não se faz necessidade aqui de citá-las uma por uma, mas três têm presença marcada: frio, cigarro e jazz. embora da OBVIEDADE há muito tenha sido feitum clichê, eles REALMENTE merecem destaque.

a memória aqui catou uma situação: eu e minha caríssima irmã num café da manhã num lugar nevado, o cheiro dum cigarro-recém-apagado e miles davis embalando todo mundo com 'so what'. pena que era de manhã, though.

buenas, tudo isso pra confessar que, quem quer que seja, é bem possível que eu SEMPRE vá acabar propondo que se tome um kaffee mit mir.