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terça-feira, 14 de setembro de 2010

sobre imediatismos inconclusivos e, por isso, imediatismos

Cadê?

Ninguém disse que ia ser tudo tão vago,
ninguém avisou que iríamos ficar todos desalertados, desprotegidos, tendo que lidar com dados insólitos, tendo que se virar com o que se tem, tendo que ser basicamente imediatistas.

Imediatismos e impulsos que regram nossa rotina acabam fazendo dela qualquer coisa menos rotina. E se o inusual passar a ser o corriqueiro? E se a falta de foco, e se o desapego às metas, e se a incapacidade de planejar FOR, de fato, o esperado?

Então tudo que nos resta são expectativas distantes, um não-sei-o-que-esperar-de-mim, uma falta de perspectivas a longo prazo que incomoda, e cutuca de leve, belisca, mas que não chega a doer, porque no final,

No final, no final, no final, no final

sábado, 7 de agosto de 2010

feminino F _ _ _ _ IN_

Sem muito o que dizer, na verdade.
Nunca tendo muito o que dizer, vai ver é o tempo que também não me diz nada, meio que chuva, meio que sol, mas é de manhã ainda

Talvez à medida que o tempo vai passando, e tudo acontecendo, e o céu clareando, e as ruas senchendo de gentes, e as gentes todas muito estranhas entre si, ninguém se reconhecendo, mesmo que já se conheçam, à medida que as nuvens vão enxugando o que sobrou da chuva de ontem, os homens-de-debaixo-da-ponte recolhendo suas coisas e levando pralgum lugar onde só eles sabem, mais ninguém,

, quem sabe também eu vou achando alguma coisa pra ocupar os pensamentos.
Que na verdade já parei de mimportar, já não me restam muitas preocupações, tudo fluindo muito insólito na minha cabeça. De modo que me sinta muito anestesiada, porque minhas sensações não se ordenam, não se organizam, eu fico à deriva, elas me deixando na mão. Não consigo achar nenhuma direção pra atirar: vou atirando em todas.

Só uma coisa me segurando nessa dimensão: o gosto do café tomado há pouco.

domingo, 18 de julho de 2010

sobre a teimosia da memória

Em tempos de efemeridade, figuras se apegando a nós com uma força imbatível e incontrolável.
Em tempos de tudo-muito-rápido, idéias demorando a se diluir.
Em tempos de espírito enciclopédico (hardman explica: a ânsia de saber, de ver, de conhecer tudo, não perder nada de vista), a vontade de entender o outro PROFUNDAMENTE, de adentrar todos os espacinhos da sua mente e do seu corpo: olhos nos olhos bem intensos um no outro, sem piedade nem constrangimento.
Batendo vontade de lembrar chico buarque: olhos nos olhos quero ver o que você diz, quero ver como suporta me ver tão feliz. Como é que se deixa que determinadas imagens, pessoas, conversas, se apeguem de um jeito tão INSUPORTAVELMENTE forte à nossa rede de lembranças? São resistentes, essas memórias. Teimosas.
Não importando o quanto tentemos arrancá-las com as unhas, dentes, garras, elas sempre lá, teimando em segurar-se a qualquer canto desprevenido do nosso cérebro. Ficam à espreita, mesmo que imersas na poeira da nossa mente, na iminência de acharem qualquer momento INOPORTUNO para insurgirem e, daí, atacar.

Then it hit me: por quê? Por que ficam armazenadas na nossa kopf se são quase que indesejáveis? Fugindo de qualquer embasamento científico, confiando só nuns devaneios ensandecidos, penso que acabam ficando, ficando porque, por alguma razão, são assuntos inacabados, aguardando pacientemente para terem um fim. Enquanto não o tiverem, decidem, com um pragmatismo odioso, a continuar nos atazanando. Essa indefinição corrói a legitimidade da nossa noção sobre essas lembranças, sendo nossas lembranças idéias congeladas, imutáveis, impossibilitadas de serem reparadas e quase nunca condizendo com a realidade. Por isso sempre tendo um caráter extremista: ou sendo uma idealização, ou provocando um asco nauseante, nunca sendo verossímeis.

Eu bem leiga, mas bem curiosa, lendo O mal-estar da cultura, catei uma passagem talvez útil à discussão: Freud alega que o passado pode ficar conservado na vida psíquica, não precisando ser necessariamente destruído. Claro que aí ele se refere a um assunto far more complex, o distanciamento do eu inteiro do eu exterior ao passar do tempo. Claro que associar isso à memória é uma aproximação completamente vulgar. Mas também, o que é que EU sei de psicanálise?

Curiosas são as perguntas que ficam: como é que essas memórias, quando vêm à tona, representam uma influência tão INTENSA aos nossos pensamentos? Como é que têm essa capacidade indomável de embaralhar certezas, de fazer com que percamos a noção entre o ético, o justo, e o inadmissível? E por que é que confundem nossas sensações, atuando sobre sentimentos que dávamos por eternos e criando indefinições, dúvidas, tornando-os (e por que não?) passageiros? Incorporam ímpetos, criando impulsos irresistíveis e que, no entanto, desafiam verdades anteriores?
Bom, resta-me a dúvida, e a única certeza de que me assombram ainda mais rostos e lembranças do que eu gostaria.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

presenting: errors

Estava eu enrolada com todos os meus rolos, bem cilíndricos e bem permanentes, quando eu paro pra raciocinar, POR QUE continuo enrolada nos meus erros? Por que é que não consigo me desnrolar deles? Será que eu ao menos tento?

QUE, teoricamente, se alguma coisa nos faz mal, deixa nervosa, desnorteada, assim, com a cabeça girando à deriva num sem-número de pensamentos e possibilidades, seria RACIONAL tão racional que combatêssemos a fonte do CAOS. Mas por que é que às vezes fazemos o oposto?

(parafraseando o senhor Amarante) Porque nem sempre. Já é pra lá de sabido que somos completamente IMPULSIVOS: nossos ímpetos, por mais controlados que possam ser, existem de fato e sempre fazem uma pressão monstruosa sobre nossas decisões. De modo que, mesmo quando é certamente mais sensato agir RACIONALMENTE (se errar me machuca, e eu não quero me machucar, não vou mais errar), às vezes nos deixamos levar por nossos impulsos. Tá, grande coisa. E daí?

E daí que errar várias e várias vezes não é sinal de burrice coisíssima nenhuma (claro, falamos de interações interpessoais, não de exercícios de matemática).
Isso só mostra que o ÊXTASE do impulso supera a conseqüência MALIGNA do erro.

Não sesquecendo que a conseqüência maligna nunca vai deixar dexistir BLÉ

tchüs,